O
Pistoleiro, clássico inimigo do
Batman, interpretado aqui pelo inigualável
Will Smith. O homem que não erra um tiro sequer também tem um coração, e suas razões de viver se encontram em sua filha, o que torna seu arco uma espécie de busca por redenção, e isso coloca o personagem logo de cara como o protagonista do filme. E como um bom protagonista, sabe muito bem como conduzir o filme, independente do tom das cenas! É ele o único dos vilões a enfrentar aquela que é a responsável pela criação da
Força Tarefa X, e mesmo que curtos, os confrontos entre o
Pistoleiro e
Amanda Waller valem cada segundo, sendo que a segunda teve uma interpretação impecável de
Viola Davis, literalmente encarnando a personagem! Aliás, todos os atores apresentam atuações sensacionais, e chega a ser difícil escolher apenas um destaque entre eles. É claro, com um foco maior em alguns personagens (
Pistoleiro, Waller e Arlequina), fica melhor evidenciada a participação daqueles responsáveis pelos personagens, mas menções honrosas devem ser dadas a
Jay Hernandez e
Joel Kinnaman, Diablo e
Rick Flag, respectivamente, excepcionais em seus papéis. Mesmo o próprio
Jared Leto merece seus créditos, apesar de pouco aparecer, e mesmo em poucos minutos, seu potencial para interpretar o
Coringa é nítido, mas não vimos o suficiente do vilão. As únicas exceções são o
Amarra e
Magia, que pouco aparecem no filme. Na verdade,
Cara Delevingne convence como
June Moone, mas não como o alter-ego da personagem, o que seria fundamental...
E aqui temos um grande problema do filme, mas não exclusivo a
Esquadrão Suicida, mas sim algo que vemos já faz um bom tempo em filmes de "heróis": a escolha do antagonista. Desde os primeiros trailers, já se suspeitava de que a grande vilã (em meio aos outros) seria a
Magia. O que acontece é que temos um vilão superficial, com planos superficiais e até mesmo uma aparição superficial. Para se ter uma ideia, muito mais gente presta atenção na (impecável) trilha sonora do filme do que nos objetivos dos (sim, no plural) antagonistas. Se todos os vilões de filmes querem dominar o mundo, o que muda aqui, em um filme com tantas mudanças? Nada. O preceito de traição de um povo já foi usado em
X-Men: Apocalipse há alguns meses atrás, e assim como no filme da
Fox, temos um vilão que tem motivos tolos para botar seu plano em prática. Tudo bem, a
Magia não decepciona tanto como o
Ultron, nem como o
Apocalipse de
Batman V Superman: A Origem da Justiça, mas deixa muito a desejar. Certamente, uma escolha mais elaborada traria muito mais conteúdo ao filme, mas não muito do que se queixar aqui, porque todos os filmes andam meio desalinhados neste quesito. Mas o que seria dos vilões sem heróis? O filme traz uma excelente (porém curta demais) aparição do
Batman, e assim como no caso dos outros atores,
Ben Affleck simplesmente parece ter sido feito para seu papel. Quanto ao
Flash, sua aparição é rápida demais (já era esperado, não é?), mas também podemos perceber que coisas boas ainda virão de
Ezra Miller no papel. E temos na direção um diretor que cada vez mais prova sua capacidade, trazendo à vida um incrível filme que talvez nunca veja a luz do dia por conta de decisões erradas.
David Ayer é quem assina o filme, e sua capacidade como diretor é inquestionável. Mesmo que a
Warner tenha entregue um filme que se especula ser totalmente diferente da versão criada pelo diretor, o caminho inicialmente traçado por
Ayer foi o que mais chamou a atenção para o filme, e devemos a ele o crédito por ter entregue um filme incrível, mesmo com defeitos graves de enredo. E o que torna o filme algo excelente são os detalhes, desde as músicas que tocam em determinados momentos até as referências à obra de
John Ostrander, aquele que escreveu o esquadrão como conhecemos hoje. A proposta de colocar vilões para derrotar um mal ainda pior é genial, e chega a atacar até mesmo os preceitos políticos que regem o
Universo Estendido DC. Se a "morte" de
Superman serviu para dar um sopro de vida à
Liga da Justiça, é certo que vemos em
Esquadrão Suicida um novo episódio para as histórias da
DC no cinema. Já era hora de se mudarem algumas coisas no gênero de heróis, e é bom ver esta mudança tomando certa forma. Apesar de não ter sido bem aceito pelos críticos, o filme merece sim uma segunda chance! Não deixem as notas baixas te enganarem, em baixo de toda a cor e aparência bonitinha do filme, existe um grande longa-metragem esperando para ser visto! Agora corram para o cinema mais próximo e tirem suas próprias conclusões, depois voltem e nos contem o que acharam deste incrível filme!
Nota do avaliador: